Fim da lista Traces divide opiniões na pecuária

24 de janeiro de 2012

O anúncio de que o Brasil passa a gerenciar a lista de fazendas habilitadas a exportar para a União Europeia gerou reações diferentes na pecuária. Enquanto a indústria comemora a mudança, pecuaristas acreditam que é preciso alterar as regras para que exportar para o bloco valha o investimento.

Desde o dia 15 de janeiro, a lista Traces deixou de existir, ou seja, o governo brasileiro não precisa mais enviar a relação das fazendas aptas a exportar para aprovaçao da Direção-Geral de Saúde e Consumidores da Comissão Europeia (DG Sanco, na sigla em inglês). “A medida é tardia, a gestão da lista nunca deveria ter saído do Brasil”, afirma Luciano Vacari, superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

Para Vacari, a mudança não beneficia o produtor, pois as exigências na criação dos animais para embarque ao bloco continuam as mesmas e os custos para rastrear o animal também. Além disso, os frigoríficos não querem pagar a mais pelo animal. “Se com duas mil fazendas habilitadas no País não conseguimos receber o bônus, caso todas as 27 mil propriedades que estão na Eras resolvam vender para o mercado europeu, será ainda mais difícil”, afirma.

João Borges, pecuarista de Mato Grosso do Sul, compartilha da opinião de Vacari. “Saí da lista Traces porque não recebia por todo o trabalho de rastreabilidade que eu realizava na fazenda”, relata.

Borges confina mil cabeças por ano e brinca todos os animais, mas vai investir em outros clientes. “O mercado europeu perdeu a importância, estamos buscando países do Oriente Médio e Estados unidos”, diz.

Novo fôlego aos embarques

Para a Asociação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a mudança na gestão da lista pode dar um novo fôlego aos embarques brasileiros para a União Europeia e melhorar as vendas em 2012. No ano passado, o bloco econômico, que adquire cortes nobres da carne bovina brasileira, reduziu em 10% a quantidade adquirida. Um dos motivos foi a burocracia para liberar a entrada do produto brasileiro. Outro, foi a crise financeira dos países do bloco.

De acordo com a entidade, 2 mil propriedades estão habilitadas a fornecer bovinos para abate com destino à UE, o que significa 4,3 milhões de cabeças. Em 2008, quando entraram em vigor as exigências do mercado europeu, 26 mil propriedades estavam aprovadas e a oferta era de 26 milhões de cabeças.

Alex Santos, da Scot Consultoria, também considera positiva a alteração na gestão das fazendas habilitadas, mas chama atenção para dois fatores que podem prejudicar o interesse do setor pecuário pelo mercado europeu. “Com o aumento da oferta, a tendência é que o ágio pago pelo animal seja cada vez menor. Além disso, o poder de compra do mercado europeu caiu”, diz. Santos lembra que o pecuarista tem um custo de R$ 4,00 para rastrear cada animal.

Fonte:Portal DBO

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